domingo, 6 de dezembro de 2020

Qual a culpa dos artistas pela ascensão de Trump e Bolsonaro?

 

Uma nova versão do filme “O Poderoso Chefão” de Francis Ford Coppola estreia nos cinemas.

Isso me fez lembrar que “O Chefão”, de Mario Puzo (foto), foi um dos primeiros livros que li na minha adolescência na década de setenta.

Apesar de ter gostado do livro, lembro que fiquei preocupado com o fato de criminosos serem retratados como heróis.

Infelizmente, com o passar do tempo, isso virou corriqueiro.

O livro “O Chefão”, que depois virou o filme “O Poderoso Chefão”, teria sido o começo dessa verdadeira onda de inversão de valores?

“Velozes e Furiosos”, “Onze Homens e Um Segredo” e “Professora sem Classe”, fazem parte de uma enorme lista de filmes que enaltecem os bandidos.

Alguns “contadores de histórias”, escritores, roteiristas entre tantos outros artistas, estariam, mesmo sem a intenção, promovendo essa inversão de valores?

O público parece ter entrado nessa onda.

O ator Vagner Moura declarou não entender como a população brasileira adotou o Capitão Nascimento como um herói, mesmo ele tendo interpretado o papel, no filme “Tropa de Elite”, deixando claro que se tratava de um militar perturbado psicologicamente.

E mesmo assim o povo brasileiro acabou elegendo para presidente um capitão aposentado por distúrbios psicológicos, com atestado médico e tudo.

Um capitão perturbado ser tomado como um verdadeiro herói no cinema em 2007, e onze anos depois um capitão aposentado por problemas psicológicos ser eleito presidente seria apenas uma coincidência?

Fica aqui uma dica para TCC de antropólogos e historiadores...

Afinal, qual a influência das histórias que contamos para a ascensão ao poder de figuras como Trump e Bolsonaro?


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