domingo, 12 de outubro de 2008

Surpreso, chocado ou indignado?

Tentei avaliar qual deveria ser a minha reação ao assistir esse vendaval de denúncias, que invadiu a mídia, envolvendo uma considerável parcela de nossos políticos em falcatruas de todas as espécies.

Seria hipocrisia dizer que fiquei surpreso, pois sempre tive uma idéia torta e generalizada de que fazer política é negociar vantagens em obscuros conchavos e acordos duvidosos. Como posso ficar chocado com algo que no fundo eu já sabia que acontecia?


E, antes de achar que tinha o direito de sentir indignação, resolvi rever minha própria conduta perante a lei e a ética.
Será que nunca fiz uma “ginástica” na declaração para não precisar pagar imposto?
Será que nunca comprei nenhum cd pirata?
Será que paguei corretamente para usar todos os programas instalados em meu computador?
Será que sempre exigi a nota fiscal na hora da compra?
E se meu filho estivesse doente?
E, conhecendo o funcionário do posto de saúde, será que eu não tentaria o atendimento médico, mesmo sem ter ficado na fila?
Onde fica a ética nessa história toda?

Os políticos de nosso país foram eleitos pela maioria. E, se a maioria está sempre tentando levar vantagem, o que poderíamos esperar de nossos representantes?

É da cultura do povo brasileiro tentar levar vantagem em tudo. Isso está enraizado em nossa tradição, desde o tempo em que os europeus levavam nossas riquezas em troca de espelhos e outras quinquilharias reluzentes.

Continuamos, de quatro em quatro anos, trocando nossos sonhos de um país melhor por manilhas, caminhões de terra ou até por alguns litros de gasolina. O importante é levar vantagem em tudo. É uma questão cultural.

O sentimento mais adequado para o momento talvez seja a tristeza, perante a constatação de que precisamos evoluir culturalmente.

Colombense sim senhor! E com orgulho.

Colombo cresce num ritmo tão acelerado que a sua população ainda não teve tempo para desenvolver o tradicional “bairrismo” colombense. Precisamos aprender a nos orgulhar da cidade onde moramos.

Conheço pessoas que moram aqui há muitos anos e que não mudam as placas dos seus carros, não transferem seus títulos eleitorais e, quando alguém de fora pergunta onde moram, dizem que são da “região metropolitana de Curitiba”.

Eu sou colombense de coração e me orgulho de morar numa cidade que recebe a todos de braços abertos. Onde diferentes etnias convivem de forma harmoniosa.

Moramos todos num país em que as diferenças sociais e culturais são enormes. No entanto, em Colombo essas diferenças não dividem as pessoas em grupinhos dos mais ricos ou dos mais cultos.

Pense um pouco sobre os seus vizinhos e amigos. Você vai perceber que se relaciona bem com todos, independente do seu nível social ou cultural.

“Mas como vou me orgulhar de Colombo se ela é conhecida apenas como uma cidade dormitório?” Perguntou-me um amigo.

A lógica é simples: Nossa cidade é considerada “dormitório”, porque a maioria dos moradores sai todos os dias para trabalhar numa cidade vizinha. Devemos então sentir orgulho, pois somos “reconhecidamente” um povo trabalhador.

Se uma cidade não consegue gerar empregos suficientes para os seus moradores, certamente não é o povo que deve se envergonhar. Eu, Silvio Kurzlop, sou colombense sim senhor! E com orgulho.