Quem foi para a escola na década de
setenta não aprendeu filosofia. Os militares excluíram do currículo escolar
essa matéria. O poder ditador, obtido à força, seria mais fácil manter se as
pessoas não aprendessem a pensar. A educação foi colocada em segundo plano. Um
povo ignorante é mais fácil dominar. Até hoje podemos ver as cicatrizes desse
golpe, com a maioria dos professores recebendo salários miseráveis.
Aprendemos na marra, naquela época, o
que chamavam de “educação moral e cívica”. Éramos obrigados a cantar
diariamente o hino nacional. Milhões de bandeirinhas, impressas com o dinheiro
público, eram distribuídas em ostentosos desfiles militares no mês de setembro,
quando ironicamente deveriam ser comemoradas a independência e a liberdade.
Foram tantas as propagandas com
adesivos nos carros e musicas feitas sob encomenda, que acabamos relacionando
os símbolos e as cores brasileiras com o poder imposto pelos militares. Na
minha juventude, cantar o hino nacional ou usar as cores verde e amarela significava
compactuar com os “milicos”. Acabamos perdendo a nossa identidade.
Surgiu então um “salvador da pátria”.
Um movimento começou. Primeiro aos poucos, tímido. Mas tomou forma. E como uma
onda varreu todo o país. Hoje cantamos o hino nacional com orgulho, em estádios
lotados, mesmo quando o som pára o povo continua com seu brado retumbante. É de
arrepiar!
Agora, na primeira semana de maio,
quando completam vinte anos que o salvador da pátria encontrou a morte num muro
da Itália, quero agradecer a Ayrton Senna por devolver a nossa identidade como
povo. Cada vez que ele levantava a nossa bandeira em várias partes do mundo,
Ayrton devolvia ao seu povo o orgulho de ser brasileiro.
Muito obrigado “Ayrton Senna do
Brasil”!

