sábado, 29 de junho de 2013

Que a breve vida de Tayná não tenha sido em vão.
Que a sua morte nos arranque da nossa indiferença.
Que nossa revolta seja grande.
Que a nossa comoção se transforme em indignação.
E que a nossa indignação perdure.
Mesmo depois dos brinquedos do parque queimados.
Mesmo depois dos mal amados tendo confessado.
Que a nossa revolta e indignação tenham uma enorme força.
Força que nos leve a tentar entender as raízes desse pesadelo.
O que levou esses quatro seres humanos à tamanha crueldade?
Seres humanos sim!
Ocos, destituídos de alma, com os corações vampirizados, sem uma gota de amor, mas seres humanos, que vagam num pesadelo sem fim, levando a escuridão por onde passam.
Precisamos olhar para nossas crianças abandonadas pelas esquinas, procurando na fumaça do crack o amor que lhes falta.
Sempre que fechamos o vidro de nosso carro e olhamos para outro lado, estamos criando aberrações.
Não conhecia a menina Tayná pessoalmente, mas choro a sua desgraça, a tristeza de sua família, porque sei que essa desgraça também é minha.
Que a minha revolta e indignação sejam grandes.
Grandes o bastante para me arrancar do sofá ou do teclado do computador.
E tentar na vida real fazer alguma coisa...
Além de chorar...